Blog da Professora Lúcia Leiro

10/16/2011

Jingle, memória e o politicamente incorreto

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 10:02

Nos anos 70, havia uma propaganda das duchas Corona que hoje seria politicamente incorreta, mas naqueles tempos, não.  Era um jingle que acabou ficando na memória de muitos. Era um ritmo alegre que era acompanhado por jovens tomando banho debaixo de uma cascata. Dizia mais ou menos assim: “Apanhe o sabonete/abra a torneira e de repente a gente sente/duchas Corona um banho de alegria num mundo de água quente”. Era uma composição audiovisual que misturava sentidos de abundância, expressos nas passagens rápidas de enquadramento dos close ups para os não menos rápidos planos de detalhe dos corpos, escondidos pelo volume de água (ecos da censura?) da cascata, além da abundância expressa no coro entoado de vozes, sugerindo coletividade, portanto as vozes daqueles jovens (redundante dizer belos, magros, brancos) e no jingle que repetia enquanto a cena processava. Diante de tanto apelo sinestésico de liberdade (em contradição à atmosfera da época), impossível que tal imagem não ficasse retida na memória daqueles que tem mais de 40 anos. Quem tem menos de 30 e se lembra foi porque viu no youtube…

 É claro que diante da campanha de enconomia de água das agências de regulação, tal propaganda soa hoje como desperdício, também para as organizções ambientalistas. A questão ideoloógica não está no produto que viabiliza isso (até porque qualquer chuveiro poderia propiciar essa realização), mas o comportamento que se queria fazer adotar no espectador-consumidor quando fosse tomar banho, isto é, como se estivesse debaixo de uma cascata. Em tempos em que a água anda escassa, a propaganda soa como politicamente incorreta, o que mostra que os sentidos em relação ao texto depende das condições de produção da leitura, da interpretação, do contexto. O que era aceitável em uma época pode ser inaceitável em outra, depende das formulações discursivas de cada momento histórico vivido pelos sujeitos (ou domíios) em interação.

 Talvez um dia nos falte água e também aquela linda cascata, aquela mesma que aparece na propaganda com tantos jovens sorridentes e prazerosos de sentirem tanto volume de água sobre seus corpos. Essa cascata nos faltará porque queríamos ficar mais tempo debaixo d’água? Quem de fato usou toda a nossa água? Lembrei-me de um desenho animado “Rango”, mas já é outra conversa… outro (inter)texto…

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10/14/2011

CURSOS DE EXTENSÃO

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 13:49
Encontram-se abertas as inscrições para os cursos:1. II Curso Cinema e Mulher (20h)
2. Literatura Infantil e Juvenil (20h)
3. Inglês para crianças (para estudantes de Pedagogia) (20h)

Local de Inscrição: NUPE/ Departamento de Educação – Universidade do Estado da Bahia

Telefone: 3117-2200 (Sra. Maria José)

Valor da inscrição: gratuito.

Certificação para quem obtiver 75% de frequência
 
Os encontros do II Curso Cinema e Mulher iniciarão no dia 29/10.

10/12/2011

Como se preparar para uma entrevista de monitoria

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 15:57

Tenho realizado algumas seleções de monitoria e percebido que, em geral, o estudante não se prepara adequadamente para a disputa da vaga. Seguem alguns pontos a serem observados:

1. Interesse pelo tema.

Neste aspecto não basta apenas gostar do tema, tem que conhecê-lo. Nas monitorias de ensino, o aluno deve mostrar que conhece o seu objeto e que deseja aprofundá-lo na mediação com outros alunos. Para que ele possa fazer isso adequadamente é necessário que ela conheça mais o assunto do que o aluno que está cursando a disciplina. Muitos se esquecem dos conteúdos lecionados nos semestres anteriores, por isso revisar antes da entrevista e da prova é fundamental. Nas monitorias de extensão, a(o) candidata(o) deve também gostar e conhecer para mediar, auxiliar melhor o professor.

2. Adequação do vestuário.

Trata-se de um item importante no processo de seleção, mas que tem tido pouco destaque. Muitas organizações nos cursos de preparação para entrevistas falam sobre a adequação do vestuário. Vestir-se adequadamente não significa colocar paletó e gravata ou um ternozinho, significa colocá-los se o evento assim exigir. A pessoa deve se preparar para os eventos cotidianos usando com pertinência a linguagem verbal e a não-verbal. Esmerar nesse item pode ser o passaporte de muitos para o primeiro emprego.

3. Excesso de informalidade.

Mesmo que conheça o seu entrevistador de longas datas ou que você tenha conhecido em um churrasco não significa que na entrevista você possa tratá-lo com incoveniente informalidade. O espaço da entrevista é formal, profissional, portanto exige uma outra performance. A informalidade, se houver, deve partir do entrevistador, se o propósito for deixá-lo mais à vontade, mas não abuse dessa permissão.

4. Pontualidade.

O calcanhar de Aquiles dos brasileiros. Poucos chegam no horário ou 15 minutos antes de qualquer evento. Chegar antes dá a vantagem de conhecer o ambiente onde irá trabalhar, seus concorrentes, além de deixá-lo mais descansado. É horrível entrar em uma sala para ser entrevistado com aspecto cansado com se viesse da São Silvestre e, pior, apresentando um milhão de desculpas. Passa a impressão de negligência, irresponsabilidade, falta de compromisso (mesmo que não seja).

5. Falta de Malícia

Um componente importante que só pode aparecer com a calma e a experiência devida. Em algumas situações, o entrevistador lança uma pergunta mais complicada e  você não sabe responder. Às vezes o entrevistador quer saber mais sobre como você se desviará da pergunta do que se você sabe a resposta, isto é, ele quer saber se você está preparado(a) para enfrentar situações difíceis, o que exige raciocínio rápido, tranquilidade e domínio da linguagem (para manipulá-la, claro, com inteligência). Isso é muito importante porque mesmo que o enrevistado não saiba responder a uma questão, jamais deve externar isso. É ingenuidade e frustra o seu interlocutor, além de ser um contrassenso, pois a entrevista é um espaço para mostrar conhecimento e não a falta deste. A sinceridade nem sempre é interpretada como algo positivo, ao contrário, pode ser visto como falta de maturidade, pois no mundo profissional a sinceridade tem mais a ver com a capacidade de convencer do que com a verdade. A lei da sinceridade refere-se ao quanto se pode fazer para que o interlocutor adira ao que é dito para ele.

6. Conteúdo

Participar de uma entrevista para seleção de monitoria de ensino requer uma preparação de conteúdo. Tente antecipar as perguntas do entrevistador. Quais seriam as possíveis perguntas? Saberia respondê-las com clareza e desenvoltura? Se o aluno escolhe a monitoria da disciplina Literatura e Educação, precisa rever a ementa, estudar o conteúdo e tentar responder a alguns conceitos-chave, por exemplo, o conceito de literatura, a relação literatura e educação, o conceito de educar, autores e obras, etc.

7. Tranquilidade

Outro calcanhar de Aquiles dos entrevistados. Difícil não ficar ansioso e tenso em uma entrevista, mas é possível disfarçar esse nervosismo que tende a passar depois de 01 minuto. Se você se prepara, sabe que irá com uma vantagem grande contra aquele que (em geral) não se prepara. Tenha auto-confiança, conheça o seu objeto de estudo e expresse isso para o entrevistador, nesse caso o professor.

8. Documentação

Elemento muito importante no processo e, por isso, deixei por último. A falta de um documento significa desclassificação imediata do candidato. Os protocolistas (ou protocoladores, o dicionário Houaiss ainda não traz os verbetes) não deve receber um processo sem a documentação completa do candidato, mas caso o processo tramite mesmo assim, por algum lapso, o professor-entrevistador pode desclassificar o candidato.

Logicamente que essa parte da documentação deve estar expressa em edital com base nas resoluções da universidade que delibera as normas por meio dos  Conselhos Superiores (CONSU/CONSEPE).

Boa entrevista!

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