Blog da Professora Lúcia Leiro

08/09/2010

De olho no movimento

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 15:12

Estava andando pelas ruas do Rio Vermelho e, em três dias de ausência do barulhento bairro da boemia, pude observar que  as placas de aviso aumentaram. Uma das placas, afixada na parede de um templo religioso, em frente a minha residência está escrito: PROIBIDO JOGAR LIXO. O curioso é que o aviso impõe um dever a todo cidadão que é manter a rua limpa para que outros tenham o direito de usufruir de um espaço livre de sujeira e doenças. O que me chamou a atenção é que a poluição sonora mantida pelos bares e templos, com seus sons altíssimos, também fere a cidadania, pois as pessoas têm o direito de usufruir de um espaço tranquilo, aconchegante e de paz. O barulho agride a saúde do cidadão, incita o desrespeito mútuo, contribui para a agitação, além, claro, de ser ilegal. No entanto, paradoxalmente, as mesmas pessoas que reivindicam o lugar limpo, mantém a poluição sonora.

Uma outra placa traduz o que o bairro do Rio Vermelho, assim como outros da Orla, se tornou. Lá  está o seguinte aviso: PROIBIDO ESTACIONAR. NÃO TEMOS VAGAS PARA VISITANTES. NÃO INSISTA. Esta placa é curiosa, pois além de revelar a preocupação dos moradores da região com o aumento de bares e restaurantes que não possuem estacionamento próprio, levando os motoristas a estacionarem em qualquer lugar, seja em frente de garagem ou não, a inscrição “não insista” mostra que não há exceções nem negociação. A placa informa ainda o estado emocional do enunciador, no limite, à beira de um ataque de nervos, agredido em um de seus direitos constitucionais: o de ir e vir.

Alguns bairros têm se tornado inabitáveis para aqueles que querem viver com um mínimo de conforto. Há pouco tempo, enquanto assistia a um programa na televisão, senti dores no ouvido. Então percebi que a barra do volume do televisor estava indicando além da metade, ou seja, para compensar o barulho enusurdecedor que vinha das ruas, tive que aumentar o volume do televisor o que resultou no incômodo.

Infelizmente, pelo visto, as pessoas não estão se importando muito com as mudanças urbanas e, alheios aos malefícios de um crescimento desordenado de restaurantes, bares e templos, vão se resignando.

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