Blog da Professora Lúcia Leiro

12/14/2009

AMOR: UMA QUESTÃO DE DISCURSO… POLÍTICO

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 14:23

Se pensarmos no imaginário sedimentado pelos discursos veiculados pela mídia e as artes verificaremos que hegemonicamente a representação de mulheres que aspiram por um grande amor lastreia as narrativas elaboradas e disseminadas através dos vários e diferentes suportes através dos quais a linguagem se materializa. Pensemos nas peças publicitárias, nas telenovelas, nos filmes comerciais, nas letras de música, nas falas cotidianas que atualizam ditos populares eivados de preconceito, enfim, em todas as formas textualizadas que nos chegam aos olhos e nos fazem interagir com o mundo.

Sem dúvida, teremos muitos contrapontos, mas predominam certas normatizações muitas vezes camufladas de valores que consideramos positivos, daí a grande dificuldade de tratarmos criticamente certos enunciados, pois tendemos a apreender o conjunto, a totalidade, o universal. Nesse caso, um trabalho de catar feijão (como não catamos mais…), retirando as impurezas para selecionar os melhores grãos fosse necessário para lembrarmos que no discurso acontece o mesmo. Devemos analisar o texto, identificando a estratégia e recurso usados para esconder a ideologia, o propósito, em geral hostil ao interlocutor e, por isso, velado para ele. Lembro-me de uma expressão de Noam Chomsky: consentir sem consentir, isto é, como concordar com algo que não concordamos.

Podemos fazer isso violentamente ou sem violência, de forma sedutora. Esta forma é a mais perniciosa, pois sendo sutil leva a uma adequação das partes, fazendo crer que houve uma vontade mútua, um contrato, mas só aparente. Por isso, digo sempre que uma mulher pode declarar aos quatro ventos que gosta de apanhar, pois eu vou dizer que ela não gosta. Apenas aprendeu a consentir sem consentir.

Devemos a meu ver valorizar mais os estudos das linguagens, pois elas, de fato, são responsáveis pela adesão das pessoas a qualquer projeto político, pensando a política como um movimento não apenas público, externo, mas como gestos da cotidianidade, onde o público e o privado se inteseccionam. Em a Arte de Amar, de Ovídio, podemos igualmente aplicar suas orientações à arte de fazer política, pois no amor a política assume a sua forma mais íntima e perversa. Não é à toa que Ovídio insiste na idéia da promessa como estratégia para manter o amante subjugado, pois a promessa alimenta a esperança, que por sua vez mantém o outro preso, pois dele depende para obter o objeto de desejo.

As promessas políticas valem-se do mesmo princípio, pois o realizável, o desejado é um devir e é com base na esperança – de mudança, do novo, de melhores condições, de mais emprego, saúde, eucação, segurança – que muitos são embalados ao som de jingles apelativos, imagens persuasivas e uma arquitetura retórica engenhosamente elaborada para uma adesão uniformizada.

Fonte: http://www.feminismo.org.br/moodle/blog/index.php?userid=65

12/12/2009

Nivelamento em língua estrangeira

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 12:46

Penso que os estudantes de graduação, antes de se matricularem nas disciplinas de língua estrangeira, deveriam fazer algum tipo de teste de nivelamento a fim de serem liberados das aulas de conteúdo básico. Muitos deles já possuem cursos feitos fora – EBEC, CCAA, ACBEU, FISK, etc – e outros já passram pela experiência de residir fora do país. Como o tempo é muito valioso, acredito que eles poderiam aproveitar mais esse momento para avançar em seus estudos.

Mulher, mídia e esporte

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 12:37
Não pude deixar de acompanhar as manchetes dos jornais em torno da posse de Patrícia Amorim, nova presidente do Flamengo, o atual campeão brasileiro. As matérias chamavam a atenção para o fato de, depois de 144 anos, o time eleger para presidência uma mulher. Para alcançar esse patamar, Amorim não só representou o Clube na natação, mas foi vice-presidente dos Esportes Olímpicos e atualmente é vereadora. Esporte, mídia e política irmanados.
Apesar do acontecimento parecer um avanço para as mulheres, existem algumas contradições, pois se no futebol, aceita-se, ainda que com 93 votos de diferença, uma presidente mulher, ainda temos problemas para aceitar as mulheres jogando futebol, haja vista  a falta de apoio dos Clubes e de outros setores de criaem Ligas, Campeonatos que sejam tão televisionados quando o futebol masculino. Vamos ver se as mulheres mudam o esporte ou, então, teremos de ver o esporte mudando as mulheres

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