Blog da Professora Lúcia Leiro

06/30/2009

Violência contra a Mulher

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 18:01

Estive acompanhando o processo de violência física e psicológica contra uma mulher que aconteceu em Lauro de Freitas, mais precisamente em Vilas do Atlântico, bairro de classe média alta. A repercussão em torno das atrocidades cometidas pelo companheiro, com quem morava há três anos, deixaram marcas de indignação na sociedade. Segundo o Jornal A Tarde a conpanheira recebeu  facadas, cortes nos dedos, tiro, foi obrigada a comer fezes, recebeu golpes de jiu-jitsu para ter que confessar as suas possíveis infidelidades. Ao todo até agora são mais de 200 postagens. Algumas mulheres do movimento social me perguntam porque essa mesma repercussão não acontece quando um homem da periferia joga ácido sobre o corpo da mulher. Parece que nas camadas mais pobres, naturalizou-se, não é mais notícia, as pessoas não se indignam mais. No entanto, quando se trata de uma mulher vinda de uma outra classe, o tratamento dado a notícia é outro. A violência contra a mulher não é uma questão de classe social.

Um dos comentários postados pedia a foto do homem para facilitar a identificação. Alguns asseguravam que o pegariam se a foto fosse veiculada.  No dia seguinte, o jornal publicou, com eficiência, a foto e no terceiro dia a prisão foi decretada.

A mulher saiu da UTI hoje, mas ainda está se recuperando.

A pergunta é: Que tipo de sociedade é essa que forma mulheres tão dependentes emocionalmente dos homens a ponto de se submeter a mais cruel tortura?

Que imaginário é esse romântico e sacrificial que alimenta a auto-flagelação em troca da simples presença de um homem?

06/25/2009

Vira e Mexe: a literatura

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 11:10

Embora tenha atualmente trabalhado mais com filmes e outros textos midiáticos, não posso me afastar das minhas origens: a literatura.

Recentemente fui presenteada com um livro de Myriam Fraga de suas Poesias Reunidas, lançado no ano passado. E logo de início, somos convidadas(os) a um encontro com a sua ars poética:

Invento a Ilha,

Mistério

De ser real

E sonhada

E crio além do

Que existe,

Território do mostrado

Toco o bojo das palavras,

Miolo do sofrimento

E então instauro

Um movimento

Onde tudo se estilhaça

E o centro do mundo

É nada.

A palavra que “instaura sofrimento” é aquela que estilhaça a sua materialidade, a ordem, o já-dito, o que já está posto, pois no centro de tudo há apenas o “nada”, o movimento, o devir, deslizamentos de significâncias. Paradoxalmente, precisamos da palavra para materializar, ordenar o mundo, a sociedade em que vivemos, mas também ela precisa ser fissurada quando a sua materialidade perde o sentido na história (tempo e espaço do ato do sujeito) e, nesses aspecto, carece de atualização (historicidade) para não sedimentar e asfixiar os gestos que revolucionam.

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 02:15

No ano de seu falecimento (2009), entrei em contato com várias entrevistas de Augusto Boal disponíveis no google. Boal é um dramaturgo e fundador do Teatro do Oprimido o qual busca através de um olhar sobre a realidade provocar a consciência e a transformação social do oprimido.

Em tempos de crise em todos os níveis, vale a pena lembrar das palavras de Boal quando fala, por xemplo, dos níveis de percepção da realidade:

“A percepção do real se dá em três níveis ascendentes. Primeiro, o da informação. Você vê um tigre na frente, a luminosidade informa o nervo óptico, que transmite para o córtex. Se ficarmos nesse nível, somos informados e mais nada. Então, é preciso passar para outro nível, que é o do conhecimento, o interrelacionamento de todas as informações que recebemos. Mas isso os animais também têm, porque, se um animal vê um tigre, sai correndo como nós. É preciso chegar ao nível superior, que é o da consciência, dar um sentido a nossas ações.” (BOAL)

Mais:

“…como toda arte, teatro é uma representação da realidade, não é realidade. Se é uma representação, tem de ter um ponto de vista. E, se apresentar um ponto de vista, é político. Mais político ainda é o teatro que diz não ser político.” (BOAL )

O teatro através do exercício dramático pode-se promover grandes níveis de consciência política. A arte, dessa forma, é imbuída de uma estética dinâmica, emancipatória, libertária, e de profunda inserção política.

06/08/2009

Letras de música de Forró: um olhar sobre os gêneros

Filed under: Uncategorized — ltleiro @ 14:49

Em tempos juninos, as linguagens se apresentam sob várias modalidades: forró pé-de-serra, eletrônico, universitário, mas todos apostam na cultura da alegria que já se tornou um grande filão dos  produtores da insdústria cultural.

Impossível não perceber como a ideologia de gênero atravessa as composições, nos mostrando como as representações de homens e mulheres aparecem nos textos.

As relações de poder nas músicas de forró trazem imagens que há muito tempo vem sendo questionadas pelas feministas. Um embate secular. Imagens que colocam a mulher em um duplo espaço de subordinação através da regulação da sua sexualidade. Tanto a mulher que está em casa (Comendo Água) quando a periguete (Ivete) são controladas pelo discurso do homem que busca trazê-las sob a sua dependência. Na primeira música, a mulher está em casa enquanto o homem sai com os amigos para se divertir e pede que a mulher o espere lhe prometendo prazer. Na segunda música, a mulher aparece como elemento de diversão, por isso desqulificada, compondo o tripé: forró, mulher e bebida alcóolica.

Atentar para as músicas e a ideologia de gênero é um exercício que vale a pena realizar nesses tempos. Além das músicas, as performances de palco e nas pistas de dança também são exemplares para compormos um quadro descritivo das prática de gênero.

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